Quem sabe não sairei na capa desta vez...
MATÉRIA DO LEITOR
Aventura em água
argentinas
Já havíamos ido à Argentina em outras duas ocasiões, a última, em
2009, foi inesquecível. E desta vez a expectativa era ainda maior
Por Fábio Bordin, Roberto Silveira e Rodrigo Nanini
Partimos no dia 14 de
janeiro de 2012 rumo a Itá-Ibaté, província de Corrientes, Argentina (distante
cerca de 500 km de Foz do Iguaçu) com a expectativa de realizar "a
pescaria" nas águas do rio Paraná. Nesta região o rio possui grande volume,
suas águas são incrivelmente limpas, e a legislação local inibe a pesca
predatória, o que torna o lugar muito interessante para diversas modalidades de
pesca.
Chegamos à pousada no
mesmo dia e, com entusiasmo contagiante, os guias relataram que estavam saindo muitas
Piracanjubas e Dourados, ao contrário dos Pintados, mais difíceis em função da
época. Após nos acomodarmos, preparamos as tralhas e aguardamos ansiosos até o
momento de ir para a água no dia seguinte.
Com base nas informações,
optamos por começar a pescar de arremesso com iscas artificiais, pois além de
se tratar de duas espécies de predicados indiscutíveis, trata-se de uma modalidade
que mantém o pescador em constante atividade.
Dourados e Piracanjubas
Saímos bem cedo no
primeiro em busca dos pontos com maior quantidade de estruturas na margem,
locais mais promissores para a pesca de arremesso. Neste dia nos divertimos com
belos exemplares no pincho. Entre eles, uma bela Piracanjuba e um Dourado muito
grande que me rendeu uma disputa inesperada, já que, o normal nessa modalidade,
é encontrar peixes de porte mediano.
No dia seguinte optamos
pela pesca de Pacus na batida, que é bastante esportiva. Neste tipo de pescaria
isca, coquinhos da região, precisam ser arremessados com precisão na sombra das
árvores para que imitem o modo como caem naturalmente. Além do mais, usamos
materiais leves, e como a espécie possui muita força, é preciso muita perícia
para vencê-la.
No período da tarde Rodrigo
e Roberto saíram para pescaria de rodada. O primeiro pegou um Jaú de porte
médio e estava eufórico, enquanto Roberto conseguiu dois belos Dourados no
corrico, sendo um deles de 12 quilos.
Em um dos dias almoçamos
na margem do rio. No cardápio, peixe assado e uma saborosa carne argentina. O
clima de amizade e companheirismo é a tônica de uma pescaria, e isso ficou
evidente nessa ocasião, com muitas brincadeiras e solidariedade. E não poderia
ser diferente, afinal, todos têm o mesmo objetivo, se divertir e estreitar os
laços de amizade.
Ficamos tão relaxados à
beira do rio que nem percebemos que uma das embarcações se soltou e desceu o
rio por alguns quilômetros. Não fosse pelo fato de estarmos em dois barcos,
ficaríamos por ali, ilhados.
Preservação e degradação
Tomamos tanto cuidado
com o meio ambiente, que por onde passamos fazemos questão de não deixar
vestígios. Por isso, todo o lixo produzido é recolhido e seu descarte feito em
local adequado. Pena que nem todos tem a mesma preocupação, já que,
infelizmente, ainda tem muita gente que não se incomoda com a preservação, e
não é só na questão do lixo.
Em uma tarde, quando voltamos
ao rio para mais um período de pesca, nos surpreendemos com a presença de
armadilhas descendo o rio. Feitas com um fio forte esticado entre dois apoios
flutuantes, e algumas pernadas colocadas a cada dois metros com anzóis, elas são
soltas criminosamente na correnteza para capturar Dourados. O guia, tão logo a
avistou, aproximou o barco no intuito de destruí-la. Só não imaginávamos que
iríamos encontrar três belos Dourados cansados, mas ainda vivos, presos a ela. Indignados,
retiramos os peixes da armadilha, aguardamos até que se recuperassem, e os
soltamos.
Passado o momento de
indignação, e certos de que fizemos nossa parte, voltamos à pescaria. Após uma
chuva forte, tive duas excelentes capturas de Dourados. Com pescava de rodada, foi
preciso muito esforço durante a disputa, porém os peixes retribuíram com belos
saltos para ficarem eternizados na lembrança. Um dos exemplares, com aproximadamente
13 quilos, foi capturado ao entardecer, já durante o por do sol, o que nos rendeu
lindas fotos em um cenário inesquecível.
Pintados, Piaparas e Piracanjubas
Os dias se seguiram e os
grandes Dourados continuaram nos privilegiando. No último dia fomos até Yahapé,
cerca de 50 minutos rio abaixo em relação à pousada para tentar a captura de Pintados.
Mas como o guia havia alertado, eles estavam difíceis. Mesmo assim Roberto
ainda conseguiu um bom exemplar.
À tarde nos dedicamos à
modalidade de pingo ou rodadinha, onde o barco fica apoitado e usamos material
leve. Nesse tipo de pescaria o alvo são as Piaparas, peixe que exige sensibilidade
e atenção, já que ataca a isca com muita sutileza. Conseguimos várias capturas,
não só dessa espécie, como também, de Piracanjubas, outro peixe extremamente
esportivo quando usamos equipamento leve. Foram tantas ações e capturas que da
próxima vez reservaremos uns dias a mais para dedicar a elas.
Bim pescador !!!!